segunda-feira, 2 de junho de 2014

O Teatro Político II

v O Rato no Muro
“Nós vivemos num mundo em que as pessoas querem se comunicar de uma forma urgente e terrível. Comigo aconteceu também isso. Só a poesia já não me bastava [...] então procurei o Teatro [...]”
                         Hilda Hilst
o   Cenário proposto:

·        Interior de uma capela;
·        Paredes brancas com algumas manchas pretas, como as de um incêndio;
·        Ao fundo, uma cruz enorme, negra;
·        No chão, a sombra de uma cruz luminosa onde as mulheres se movem;
·        Uma grande escultura representando a figura de um anjo;
·        Dois planos (interior da capela; uma cerca a alguns metros de distância de um muro que não se vê); 
·        Na capela, alguns castiçais, um banco e uma pequena janela;
·        Freiras em círculo, ajoelhadas;
·        Um chicote de três cordas ao lado de cada uma;
·        Superiora de pé, afastada das outras;

Ø  Cenário de teatro dramático tradicional; representação em ambiente específico (convento); imagens: cruz, escultura, interior da capela, freiras… (teatro lírico, simbolista ou absurdo).
Ø  Poesia presente na forma de escrita de Hilda Hilst, mesclada aos diálogos e situações entre personagens e mundo.
Ø  Brincadeira com as formas de diálogo que se completam;
Ø  Utilização de metáforas para tratar de temas concretos e subjetivos;  
Ø  Manter uma estrutura de drama: personagens e seus conflitos, rubricas… (A importância das rubricas numa leitura).

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Teatro Político

*     Escrito durante o regime militar, O Rato no Muro faz uma alusão à liberdade por meio da rotina de um convento. As freiras enclausuradas, no local, mal podem se aproximar do alto do muro que as separa do mundo exterior. Em certa ocasião, elas avistam um rato no alto da parede — o animal pode ver tudo que lhes é privado.
*     Temática: política, censura e ditadura!
*     O Rato No Muro apresenta questões ligadas à falta de liberdade do ser.
*     Madre Superiora: figura representativa do poder religioso, e, por conseguinte, totalitário.
*     A presença de um rato no muro, não só abala a rotina monótona do convento, mas fomenta uma série de ações que culminam, por meio da palavra, em um processo de enfrentamento contra o sistema opressor.
*     Irmãs I e H: irmãs de sangue ligadas por uma corda metaforizando um cordão umbilical.
*     As tentativas de transpor o muro e sair do contexto de repressão por parte da irmã H fazem com que ela seja morta no final pelas outras freiras do convento, inclusive por sua própria irmã. 
*     O suspense psicológico O Rato no Muro, de Hilda Hilst, faz uma poética metáfora sobre opressão e liberdade ao mostrar a cíclica rotina de uma casa religiosa.
*     O que as separa do mundo exterior é um muro altíssimo, feito de pedras e sem portas.
*     Diariamente, as irmãs seguem uma mesma rotina, onde rezam e confessam suas culpas diante da madre superiora. 
*      Elas não conseguem fugir ao coletivo e se comportam como um coral, massificadas pelo confinamento.
*     A rotina repressora impede que se aproximem do muro, oprimindo qualquer possibilidade de ação, movimento e liberdade.
*     O sumiço de uma das irmãs, um gato sacrificado e a simples visão de um rato sobre o muro são acontecimentos notáveis. 
*     O rato inspira, uma vez que pode subir e ver o que a elas é negado ver. Diante disso, a mais questionadora das irmãs almeja conseguir o apoio das outras para ultrapassar o muro que as aprisiona. Seu desejo se torna ainda maior ao constatar a passagem de seres, que transitam livremente e, assim como o rato, conseguem viver entre os dois mundos.
*     Em O Rato no Muro é evidente a alusão feita ao momento político brasileiro, afinal as personagens da peça sofrem as consequências de um sistema autoritário, dominado pela tortura e pelo medo. A partir de uma situação limite, Hilda Hilst aborda a existência humana e seu isolamento diante do medo e da culpa. Apesar da lucidez política, O Rato no Muro se afasta da ideologia, privilegiando um questionamento universal, composto por poesias e pela construção de sons e imagens.

FESTIVAL DE CENAS EM CASA (HOME THEATRE)

A experiência no Festival de Cenas curtas foi incrível. Estar na casa do expectador cria em nós novas expectativas. De uma coisa vale a pena lembrar: aqueles que nos receberam em casa (Dona Corina e Dona Isabel e Gilmar) ganharam um papel diferente nesta relação artista-público. Eles promoveram o teatro ao cederem suas residência. convidaram amigos, parentes e vizinhos. Estavam desempenhando uma função ativa no contexto cultural. Eles, como nós, FIZERAM. Produziram. Isso criou novas relações que vão do campo cultural ao campo afetivo.


Abaixo segue o link com a reportagem


Reportagem sobre o Festival de Cenas em Casa (Home Theatre) 











domingo, 4 de maio de 2014

A Vida Por um Fio




Além de atriz, Gisele é diretora e professora universitária. Foto: Reprodução/Facebook

Neste novo trabalho, uma cena curta, de 20 minutos, contamos a história de uma mãe que espera pelo filho: Ribamar. Trabalhamos aqui a mesma transposição de imagens de Dona Derrisão. Um enredo simples, apenas uma ação, um quadro: a espera do filho que não vem. Tudo em vários ângulos que fazem com que o cenário, o texto e a dramaturgia do ator se modifiquem.


Abaixo segue a última notícia: Vamos para o Rio, selecionados pelo Festival Home Theatre

Foto: O nosso muito obrigado a todos os que se inscreveram no Festival Home Theatre 2014. Tivemos mais de 150 inscrições, vindas de cerca de 11 estados do país e selecionamos 10 cenas. Queremos agradecer a todos, a disponibilidade e o interesse manifestado. O empenho e a diversidade cultural das cenas que recebemos, nos deixa muitíssimo gratos. Esperamos contar com a presença de todos nas atividades do festival.



Parceria Xama Teatro e Petite Mort Teatro

domingo, 24 de novembro de 2013

NÃO, QUERIDO, NÃO SE VOA COLOCANDO ASPAS NO VERBO "VOAR" - Crítica a Velhos Caem do Céu como Canivetes

                
           Convém-se que a Tragédia é a derrota do Homem diante da vontade divina. Não se luta contra o que foi preestabelecido pelos “Céus”.  Por mais cruel que o destino possa parecer, o Homem é regido por estas convenções de ordem divina e/ou social e deve respeitá-las. O ato que vai de encontro àquilo que lhe foi conferido pelos deuses ou/e pela sociedade culminará em um terrível fim. Seu caráter transgressor, que parecia sua maior qualidade, será o responsável por sua queda. Mesmo arrependido, continuará caindo até se chocar contra um sólido fundo trágico...
Nós, do lado de cá, sentindo terror e piedade, nos purgamos daquele defeito de caráter que parecia tentador em um primeiro momento, pois deu ao Herói toda glória que possuía; mas, depois, tornou-se indigesto, daí a purgação. Essa é a catarse, grosseiramente resumida e efetivamente útil quando se trata de adaptar o sujeito às convenções:

 “Aristóteles formulou um poderosíssimo sistema purgatório, cuja finalidade é eliminar tudo que não seja comumente aceito, legalmente aceito, inclusive a revolução, antes que aconteça. O seu Sistema aparece dissimulado na TV, no cine, nos circos e nos teatros. Mas a sua essência não se modifica. Trata-se de frear o indivíduo, de adaptá-lo ao que pré-existe.” (BOAL, 1931).
      
              Em Velhos Caem do Céu como Canivetes, da Pequena Cia de Teatro, temos uma montagem que vai de encontro a todo esse sistema coercitivo que é denunciado por Augusto Boal em Teatro do Oprimido. A Tragédia é posta ao avesso. O que se vemos é um drama com ares trágicos, ou, uma “antitragédia”. Já explico...
     

ACERTOS FILOSÓFICOS

         

Sonhos todos têm. Maioria, irrealizáveis. Por em prática o projeto sonhado significa perder o sono. Sonhar acordado pode causar insônia. Sonhar pode cansar. Peso de sonhos é caro, paga-se a preço de alma e corpo. Por isso que muitos dos que vivem sonhando não voltam. Criam uma realidade em linha paralela que finda por acolchoar a realidade reta de linhas tortas... O que afeta muitos julgamentos é que a realidade é tão ilimitada quanto o sonho. Não sabemos nem o que é um, nem o que é o outro. O que é Real, o que é Sonho? Um dia ouvi falar de um homem que sonhou que era uma borboleta, mas o sonho lhe foi tão verdadeiro que, quando acordou, pensou que era uma borboleta sonhando que era um homem. Na inevitável existência destes dois planos, o melhor é equacioná-los. Se eu tornar o sonho em realidade, ou a realidade, em sonho; não vou viver encerrado na dúvida. Tenho, aqui, uma probabilidade filosófica de 50% de acerto. Dar tudo de si por uma ideia não é uma loucura. Gastar todos os seus recursos físicos e/ou financeiros para por em prática um sonho não parece nem um pouco insano. Muito pelo contrário. É o que garante que nossa existência tenha propósito em qualquer plano seja ele físico ou metafísico. Na verdade, esse tipo de discernimento seria completamente dispensável. Sonhar e Fazer, Fazer e Sonhar. Verbos que não me permitiriam pensar em “ser ou não ser”, jamais.

Igor Nascimento

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Crônica do homem que envelhece


         A idade bate em todo mundo. Para o homem, o sinal amarelo se dá, na maioria das vezes, na hora tirar água do joelho. Os alarmes soam quando aquele 1º jato de urina custa a sair. Se o homem é jovem, não liga tanto. O homem que envelhece logo pensa: “será a próstata?”. Mas o mal presságio passa. Ele, finalmente, urina! No entanto, outro sinal alarmante: sem querer, naquele momento de urológica epifania, eis que o esfíncter do homem se distrai e deixa sair aquele peidinho. A princípio, relaxa. Mas, depois, isso se torna um problema. A cada vez que vai ao banheiro fazer o número 1: lá está o peidinho. Às vezes, dois. Três. Mesmo quatro. A coisa já escapou do controle. Com o tempo, o homem que envelhece não consegue mais mijar com alguém por perto. Embora muito apertado, espera que todos saiam do banheiro porque, infelizmente, tornou-se o escravo. De quem? Do peidin'. Em casa, o problema se torna maior. Os gases intestinais que se expressam na vida comum de um casal são toleráveis à medida do possível. Mas nem sempre quem está ao seu lado tem intimidade para levar tudo numa boa. A equação atinge, aqui, sua maior complexidade. O homem, no meio da noite, sem saber o que fazer, quase explodindo da bexiga - o que significa que maior será o barulho do rabo treleando -, desesperado, não vê alternativa a não ser mijar sentado e peidar em abafadas prestações. Eis o retrato do homem que envelhece! A idade não bate na gente. Ela simplesmente nos vai empurrando e, o que bate, são os tropeços que damos enquanto somos, por assim dizer, conduzidos gentilmente para o outro lado. O tempo nos coloca em cada lugar e em cada situação, vou te contar! Você, querido, homem, fique atento para estes sinais. Não fique com medo. No banheiro, querendo ou não, acabamos nos confessando.